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Aposentados vencem jogo com estratégia política


Com uma estratégia inteligente, com jogada ensaiada durante dois meses, com um viés político de primeira e com um goal average em favor de sua pupila, o presidente Lula acabou por referendar o reajuste de 7,72% para os aposentados que ganham acima de um salário-mínimo. A equipe econômica ficou de “bandida”, mas na hora H chegou o mocinho e fez justiça àqueles que têm seus ganhos achatados há anos. O que faltou para a seleção, senso de equipe, objetividade, oportunismo, lances agudos e visão de jogo, sobrou para Lula da Silva. Mais uma vez. A manutenção dos 7,72% foi medida contrária à equipe econômica, que queria manter os 6,14%, em nome da austeridade fiscal, algo coerente. Para compensar, o presidente autorizou um corte no orçamento de 2010 de R$ 1,6 bilhão. O impacto do aumento aprovado pelo Congresso nas contas públicas é de R$ 1,7 bilhão, em relação aos 6,14% concedidos desde janeiro. Com a aprovação de Lula, os 7,72% serão retroativos. O Palácio do Planalto atendeu os reclamos que ecoavam de Norte a Sul do Brasil por pessoas que estavam sofrendo um achatamento das aposentadorias e pensões. Ao contrário da seleção de futebol, que foi burocrática, sonolenta, previsível e com quase nada de inspiração, o presidente e a sua equipe econômica atuaram em sintonia perfeita. A negativa seria um desastre político pior do que os míseros 2 X 1 contra a inexpressiva Coreia do Norte. Os gols que faltaram na África do Sul sobraram no Brasil e, com certeza, engordarão o saldo da candidata governista na corrida presidencial. Como treino é treino – quando Paulo Bernardo jurava que não daria o reajuste – e jogo é jogo, a vitória foi do presidente. Serão atingidos seis milhões de aposentados e pensionistas que percebem, hoje, mais do que R$ 510,00, no universo de 24 milhões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Antes das minirreformas da Previdência Social, havia o abono permanência, para aqueles que, mesmo tendo tempo de “ir para casa”, continuavam labutando.

Hoje, sem esse ganho extra, as pessoas se aposentam mas se mantêm trabalhando. No mesmo emprego ou em outra atividade. Convenhamos, parar em torno dos 50 anos é uma perda, literalmente, de tempo. Nessa idade, com saúde, estamos no ápice do conhecimento, aliando experiência e bom vigor físico. Também antes, o empregado era obrigado a se afastar por três meses e somente depois voltar. Hoje, ficando no seu posto após a aposentadoria, é considerado um empregado normal, recolhendo o Fundo de Garantia (FGTS) e contribuindo para o INSS.

Contribuir para o INSS – o FGTS é devolvido pela Caixa Federal – é uma maneira de ajudar o sistema e compensar o posto de trabalho que, teoricamente, estaria sendo ocupado por alguém mais jovem em um país tão carente de empregos. Manter-se ativo, além de ser algo saudável, segundo a maioria dos médicos geriatras, permite que pais e avós ajudem seus filhos com até mais de 30 anos que continuam em casa, pois não têm colocação. Além disso, o pagamento das mensalidades universitárias, de planos de saúde e até mesmo de contribuições optativas para o INSS é bancado por muitos avós. Piorando o quadro do desemprego, o diploma dos cursos superiores tradicionais não é mais garantia, como até 15 ou 20 anos passados, de colocação. Uma grande vitória do presidente, ofuscando a de Dunga, opaca.

Fonte: Jornal do Comércio


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